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RENATA CORDEIRO



O início de uma paixão eterna

O futebol entrou na minha vida sem pressa, sem ser atirado em mim já no berço, como na maior parte dos lares brasileiros. Foi uma paquera que virou namoro que aos poucos foi se tornando uma paixão intensa e prazerosa.

Com um pai judoca e lutador de boxe era de se esperar que a luta fosse o caminho natural mas… filha de português nascido um ano depois da revolução bolchevique não troca golpes por aí. Fora de questão!

O país inteiro via futebol no fim de semana, menos minha casa! Aquela alegria, algazarra e a tão famosa bola não passavam perto dos Cordeiro a não ser na Copa do Mundo. Mas aí entra a filha de uma amiga da minha mãe nessa história, pouco mais velha que eu e ídola absoluta: ela era Flamengo e só me restava me render a essa emoção.

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Via com ela na TV as arquibancadas tingidas de vermelho e preto num bailado de faixas e bandeiras, cantos e gritos de êxtase, era ele… Zico! E seus mais de duzentos mil seguidores no maior do mundo, o Maracanã.

O time que se criou num gramado na Rua do Russel, no Flamengo, e já nasceu seduzindo vizinhos e crianças da redondeza encantou o Brasil na perfeição desfilada por aquele time dos anos setenta/oitenta!

Tinha só onze anos e pedi uma permissão especial para dormir mais tarde naquela noite, dia em Tóquio! Mas valeu a pena! Meu time, meu e de milhões de torcedores se sagrou o melhor do mundo!

Alegria e orgulho que se transformaram na maior choradeira um ano depois, em oitenta e dois quando o mais belo futebol do mundo perdeu a Copa. Nunca o futebol me fez chorar tanto! E talvez nunca um time campeão – a seleção italiana – tenha feito tão mal ao futebol.

Foram muitos gols, festejos e desilusões de lá pra cá mas a intensidade do amor não muda. Nem em mim nem em quem tem esta paixão seja por que time for. Uma vez uma menina disse que não gostava de futebol com cara de desprezo – como se gostar desse esporte fosse coisa de ignorante – e eu só pude dizer…que pena! Poucas vezes na vida você vai ter a chance de chorar de felicidade tantas vezes num curto espaço de tempo como eu! Simples assim. Basta um título ou uma partida bonita e bem jogada e a alegria pode me tomar de assalto, pode ser só o grito da torcida ensandecida ou tudo isso junto. É uma paixão e não busco explicação.

No trabalho aprendi com mestre Armando Nogueira a frase que explica bem onde fica essa comoção:

“Sou Botafogo até o fundo da minha alma mas antes de ser Botafogo, sou ético.”

E por isso não tenho pudores em me declarar. Nem em criticar ou analisar.

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